Em que medida houve preparação para a mudança? Como evitar o risco do fracasso do sucesso? A lógica dos negócios frequentemente se choca com a lógica humana. Um sábio conselheiro, nos anos 80, já sublinhava uma dica perene: o que é lógico não é psicológico!
Quantas organizações já enfrentaram, enfrentam ou enfrentarão desafios semelhantes?
Empresas são organismos vivos: precisam de nutrição e exercício diário, permanente, para ter saúde e “músculos” fortes. Caso contrário, elas adoecem: o clima se deteriora, aumentam os conflitos e o desânimo, e os resultados do negócios sofrem o impacto.
Ninguém pode considerar-se pronto: pessoas e organizações são seres inacabados. Não se deve nunca interromper o esforço de evoluir. O sucesso do passado nunca garante o sucesso do futuro: é necessário ter coragem e determinação para se reinventar e recomeçar sempre. Como se preparar? Há coisas antigas, que recicladas, nunca perdem seu frescor e atualidade.
“Mudar para melhor, continuamente” é um princípio perene. É a filosofia Kaizen: desafio pessoal e corporativo, no dia a dia.
Uma ferramenta educacional valiosa é o Kaizen Zero (K0), que ajuda pessoas e organizações a iniciar um processo de mudança e desenvolvimento. O K0 define e trabalha um conjunto de valores que inspiram a vivência e fortalecem as pessoas em todas as esferas da vida. Valores para criar ou revitalizar a cultura do comprometimento: foco no NÓS (empatia) e não no EU (egocentrismo). (2)
O propósito do K0 é ajudar na construção de relações saudáveis trabalhando valores tais como: autoestima, empatia, afetividade, transparência, alavancagem de soluções, espírito desarmado, “espaços vazios”, postura apreciativa e outros. Vamos destacar o primeiro: a autoestima ou autoamor!
A autoestima ou autoamor é a principal expressão emocional do ser humano. O “quanto” a pessoa valoriza e aprecia, ou desvaloriza e deprecia a si mesma? O “quanto” gosta de si mesma? O “quanto” aceita a si mesma, “amando” em si até o que “não gosta”?
· Qual a consequência da autoestima excessivamente elevada? Arrogância, soberba, o sentir-se superior?
· Qual a consequência da autoestima muito baixa? Sentimento de inferioridade, insegurança, baixa autoconfiança?
· E qual o resultado desses dois jeitos extremos de se comportar e sentir nas diversas relações da vida: no trabalho, na família e na sociedade? E se a pessoa tem função de chefia ou exerce papel de liderança informal? Como a oscilação dos estados de autoestima influenciam e impactam todas as relações interpessoais, dentro e fora do trabalho, repercutindo nos resultados que se deseja alcançar nas tarefas diárias e nos planos de médio e longo prazo? Como a oscilação dos estados de autoestima podem influenciar o resultado de tomadas de decisão em reuniões com clientes, parceiros, sindicatos, etc.?
Essas são algumas das questões que o K0 ajuda a responder visando o autodesenvolvimento de padrões numa faixa de maior equilíbrio, pois excessos para o alto ou para baixo são destrutivos. Nessa faixa de equilíbrio está a humildade, um valor empático, que deveria ser um pilar de qualquer cultura organizacional. Se esta virtude está ausente não se reconhece imperfeições, a necessidade de aprender e a necessidade de mudar.
O foco em valores cria riqueza humana e econômica, mais sustentável, resiliente, e forte para o enfrentamento de grandes mudanças, de toda ordem. Significa por o “como” na frente do “o que”. Isso eleva o desempenho corporativo como demonstrou pesquisa da LRN com mais de 36.000 funcionários, em 17 países. (3)
Para Gary Hamel, apontado pelo Wall Street Journal como o “mais influente pensador de negócios do mundo”, “o que importa agora são os valores”. Ele questionou: porque os ideais mais importantes para o ser humano (como o amor) estão ausentes do discurso gerencial? (4)
Porém, esse questionamento precisa ir muito além: porque esses ideais estão ausentes da prática gerencial? É exatamente para responder a essas oportunas provocações que o K0, o Kaizen Zero, foi criado.
(1) The Guardian, 16/7/2019 e Harvard Business Review, 30/11/2018
(2) Telles, A. Carlos – ORGANIZAÇÕES DESNORTEADAS? CULTURA DO COMPROMETIMENTO!* Do egocentrismo à empatia corporativa: não “cultura do EU”, mas “cultura do NÓS”
(3) How Report, 2016.
(4) Hamel, Gary – O QUE IMPORTA AGORA – Como construir empresas à prova de fracassos, 2012
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*Publicado em 20 de setembro de 2019 no Linkedin WCCA Consultoria
https://www.linkedin.com/pulse/kaizen-0-for%C3%A7a-da-cultura-e-dos-valores-ningu%C3%A9m-pode-carvalho/



