BURNOUT : ANALISTAS ESGOTADOS E A SAÚDE MENTAL EM RISCO

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Recente matéria do Financial Times coloca em destaque o esgotamento de analistas financeiros de um grande banco, que reclamaram por melhores condições.

A saúde mental é cada vez mais um fator crítico para a qualidade de vida das pessoas e sucesso das organizações, especialmente após a pandemia. A Síndrome de Burnout é um desses fatores que, já em 2019, a Organização Mundial de Saúde decidiu incluir na Classificação Internacional de Doenças da OMS.

O Maslach Burnout Inventory (MBI) considera três características fundamentais que definem o burnout: exaustão ou total falta de energia, sentimento de cinismo ou negatividade em relação ao trabalho, e eficácia ou sucesso reduzido no trabalho (BBC Work Life 7/5/2021).

Segundo o Financial Times (2/8/2021, “Goldman Sachs boosts junior pay after burnout complaints”) a síndrome atacou um grupo de jovens analistas de uma das maiores instituições financeiras globais: o banco Goldman Sachs, posição 59 do Ranking Fortune 500, faturamento de 53 bilhões de dólares e mais de 40.000 funcionários.

A questão do esgotamento se tornou especialmente delicada no Goldman Sachs depois das reclamações de empregados mais jovens, em seu primeiro ano no banco, que se pronunciaram sobre os efeitos das jornadas de trabalho intermináveis em sua saúde mental.

Uma apresentação circulou amplamente com a informação de que eles estavam trabalhando 95 horas por semana e dormindo apenas cinco horas por noite, a partir das 3h.

O banco respondeu prometendo contratar mais pessoal para dividir a carga e garantir que os empregados mais jovens tenham pelo menos alguns finais de semana de folga, a menos que eles estejam trabalhando em uma transação urgente … O banco se viu forçado a agir pela preocupação de que poderia perder seu pessoal jovem mais promissor para grupos de capital privado ou de tecnologia, que oferecem remuneração comparável e um equilíbrio melhor entre vida e trabalho. E foi decidido conceder aumento de salário aos analistas. O do pessoal junior, por exemplo, subiu de U$S 110 mil anuais para U$ 125 mil.

Melhores políticas salariais, sem dúvida, tem seu valor. Porém, muitas vezes, apenas ajudam a tratar de sintomas, tem efeito temporário, pois não curam as doenças da organização inadequada do trabalho. Que respostas corporativas seriam necessárias para lidar, de forma responsável, com problemas de saúde mental tão graves como o burnout? É um desafio perene : há décadas discute-se como medir e melhorar o clima e a cultura das organizações. O ser “humano” continua sendo somente um “recurso”? Ele é mesmo só isso?

Psiquiatras alertam que a síndrome de burnout, doença do trabalho, pode até levar o indivíduo ao suicídio se não for diagnosticada e tratada de forma apropriada.

Será que não é tempo de levar mais a sério certa advertência de Peter Drucker, celebrado como pai da gestão moderna? Ele disse que o sucesso na administração não depende apenas de aptidão econômica, mas de aptidão clínica.

ANTONIO CARLOS A. TELLES

Consultor E&C Evolução +Humana

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COMENTÁRIOS  DE LEITORES DO LINKEDIN

Este artigo “BURNOUT : Analistas Esgotados e a Saúde Mental em Risco, inspirado em matéria do Financial Times, foi publicado originalmente pelo autor, Antonio Carlos A. Telles, no LinkedIn (3/8/2021) . Transcrevemos os comentários públicos dos leitores, que enriqueceram e aprofundaram o debate, além de sublinharem a urgência de falarmos mais do tema.  

https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6828411372062195712/

 

“Excelente artigo Antônio. O que mais me marca nesse contexto é a contradição entre a busca por produtividade e resultados, pautada somente pelo tempo e energia investidos em algo, sem considerar que o esgotamento mental leva as pessoas a serem menos conscientes, criativas e pensarem de forma menos estratégica/ampla, aumentando muito a chance de erros na tomada de decisões. Ou seja, no final de uma longa e intensa jornada, o risco de não alcançar o resultado desejado é alto e a frustração só aumenta a sensação de esgotamento.

Creio que a quebra do paradigma “comprometimento = tempo investido” e a abertura por formas mais flexiveis e inteligentes de trabalho (foco no que realmente agrega valor) serão essenciais para as empresas que quiserem seguir crescendo e atraindo talentos.”

Evelyn Beatriz Polidoro Berti – Talent Management and Culture Transformation Manager for South América NISSAN Motor Corporation

“Tema super importante e relevante! Temos que falar de saúde mental, temos que falar de colaboradores de forma holística e não pensando somente em suas entregas, temos que cuidar de verdade das pessoas ❤”

Simony Morais – Diretora Corporativa de Gente & Gestão / LOCAWEB

“Excelente artigo, muito bom para refletirmos.

Fábio Damas Mendonça – Talent Acquisition Analyst / IBM

“Ótimo conteúdo, Antonio!”

Beatriz Queiroz Brilhante da Silva – Analista de RH  /  PIRELLI

“Excelentes reflexões e alertas mais do que necessários! 👏👏👏 Empresas necessitam do lucro para sobreviver, mas o lucro depende do comprometimento de colaboradores saudáveis e motivados.
E colaboradores são seres humanos complexos – precisam ser valorizados e tratados com cuidado! Dar atenção ao bem-estar de seus colaboradores é uma obrigação e uma atitude inteligente.

Mônica Caldeira – Recursos Humanos / BANCO INBURSA

 “Tema extremamente relevante na realidade atual. Ainda temos muito o que evoluir e a abertura de discussões e fóruns é sempre um bom caminho para conscientização de todos. Parabéns pela iniciativa.”

Bianca Way – Diretora de Ensino –CCAA / Waldyr Lima Editora

 “Precisamos humanizar cada vez mais o ambiente organizacional para evitar a quantidade crescente de casos de burnout. Ótimo texto amigo!”

Ana Cláudia Alves – Analista de Desenvolvimento Humano  / Grupo 3CORAÇÕES

“Artigo excelente Antônio ! Acredito que estamos avançando nos debates quanto a importância e o cuidado da saúde mental e, também, o quanto a sua ausência causa impactos individuais sérios. Isso me deixa feliz ! Todavia, precisamos ainda de muitas ações de prevenção dentro das organizações. Percebo também uma cobrança não só do meio, mas uma autocobrança exacerbada, possíveis causas desses adoecimentos.”

Jaciara Morais – Gerente de RH / Grupo ZEMA

  “Antônio, excelente!!! A mente é reflexo de tudo!!! Conhecer profundamente quem somos, através do autoconhecimento, é a minha recomendação como psicóloga!!”

Patrícia Monteiro Coragem – Senior HR Business Partner  / OXITENO

  “Muito legal o texto. Esse tema é bastante complexo, ainda mais quando tentam gourmetizar e romantizar as causas que levam ao burnout e outros transtorno mentais.”

Bruno Otto – Digital HR / RENAULT GROUP

  “Tema super atual, principalmente para quem está trabalhando de casa, a gente acaba trabalhando mais e acumulando com as funções de casa e filhos…..tá puxado mesmo. Ótimo texto.”

Alessandra Pires – Coordenador de RH  /  IIGUAL Inclusão e Diversidade

 “Super atual e importante! Parabéns pela excelente iniciativa!”

Samya Cordeiro C Bassetto – Analista de Administração de Pessoal SR /  Grupo VERZANI E SANDRINI

  “Excelente texto e super pertinente para os dias atuais. Obrigada pelas elucidações.”

Ariane Melo de Lima – HR Business Partner / USINA AÇUCAREIRA ESTER

“Realmente, precisamos cuidar da nossa mente. Comparando a fadiga física,  precisa ser tratada. Excelente texto!”

Jéssica Nascimento – Manager I, Training & Quality Bilingual  / CONCENTRIX

“Super relevante o tema.”

Maria Eliane Martins Conexão – Coordenadora de RH Regional / LOUIS DREYFUS COMPANY

 “Tema bastante pertinente.”

Nheleti Pateguana – Técnica Senior de Recursos Humanos  / LAM- LINHAS ÁEREAS DE MOÇAMBIQUE 

“Excelente explanação sobre a Burnout, Antonio! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻”

Patrícia Gondim – Gerente de Gente & Gestão / DOKAPACK

  “Infelizmente, não somos ensinados nos bancos de escola a nos priorizar e cuidar da saúde emocional e mental. Entramos na vida profissional e somos instados a buscar cada vez mais posições em razão de um maior retorno financeiro. “Ganhar mais dinheiro para poder comprar remédios mais caros e fazer tratamento no exterior?” Pode ser uma reflexão pessimista, mas que em tempos de pandemia nos faz pensar sobre o quanto o mais simples pode ser visto como o mais importante.

 Francieli Camargo – Auditora /  BANCO DO BRASIL

  “Um assunto muito sério e que merece atenção!”

Katia Delmondes –Auditora Interna / AGROPALMA

“Tema que precisa ser debatido na realidade atual das empresas, parabéns pela iniciativa!👏🏽”

Renata Helena Souza – Coordenadora de Gestão de Pessoas / GRUPO LIBERAL

 “Saúde Emocional para ter mais Resultado e não Resultado ao custo da Saúde emocional. Uma boa reflexão para os dias de hoje.

Menethei Vianna – Coordenadora de RH Latam / BRASILAGRO- Cia Brasileira de Propriedades Agricolas

“Excelentes colocações deste tema super atual.”

Fernando Veles – Compliance Manager  /  CETELEM – Grupo BNP Paribas

“Tema de suma importância, uma vez que muitos trabalhadores vivem um dilema: encerrar o expediente no “horário certo” ou cumprir a série de demandas com prazos estabelecidos? Alguns dizem que bons profissionais devem dar conta de tudo no horário do expediente… será mesmo? Outros postergam ao máximo o término do expediente para minimizar o acúmulo de tarefas… será o correto? Qualquer escolha representa risco, mas o ideal é procurar estar feliz diante da situação vivenciada, tentando conciliar os compromissos profissionais e o bem-estar físico e emocional… exercício árduo, mas possível!”

Samanta Paiva – Senior Compliance Officer /SERPROS Fundo Multipatrocinado

“Muito bom, Antonio Carlos! Há um desafio para o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, especialmente cultural, e de valores muito distintos entre indivíduos e organizações.

Raquel Feitosa –Legal & Compliance Head/ SETOR FARMACÊUTICO

“Tema muito relevante! Parabéns pelo texto.”

Leandro de Matos Coutinho – Presidente do ICRio –INSTITUTO COMPLIANCE RIO e Advogado Senior /BNDES –Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

“A pandemia expôs os profissionais de diversas áreas a uma carga de trabalho elevada, a ponto de colocar em risco a saúde mental de muitos trabalhadores. Devemos conciliar o trabalho com a saúde, pois sem esta, em algum momento, o trabalho ficará comprometido.”

Aline Melo –Compliance -Analista de  Informações Gerenciais / GRUPO GUANABARA

“Seu texto cai como uma luva para os dias atuais! Parabéns!👏🏻👏🏻”

Oona Riynaldi – Global Compliance Specialist / GERDAU

 “Importantissimo. Neste momento, há profissionais de diversos setores experimentando este efeito e vemos cada vez mais o reflexo na agressividade da sociedade. Você tocou em um ponto que me parece extremamente relevante: não seria já o momento de trocar “Recursos Humanos” por “Relacionamento Humano”, e iniciar uma nova forma de ver as pessoas nas empresas? Afinal, ninguém é apenas um recurso.”

 Maria Victoria Perottino –Auditor sênior / UNIMED-BH

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